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Deputado dos EUA critica resposta da FanDuel sobre programa VIP e reacende debate sobre proteção ao jogador
O deputado Paul Tonko classificou como insatisfatória a resposta da FanDuel às perguntas do Congresso sobre seu programa VIP, após escândalo envolvendo Bryce Harper. A maioria das questões ficou sem resposta, e o caso reforça preocupações globais sobre práticas de fidelidade em cassinos e casas de apostas.

O deputado federal norte-americano Paul Tonko (D-NY) criticou duramente a resposta da FanDuel às perguntas do Congresso sobre seu programa VIP, em meio a um escândalo envolvendo o jogador de beisebol Bryce Harper e um usuário com sinais de ludopatia. Tonko, que há dois anos apresentou o projeto SAFE Bet Act para regulamentar as apostas esportivas online nos EUA, afirmou que a empresa se esquivou de questões centrais e demonstrou falta de compromisso com a proteção ao consumidor.
O caso reacende um debate que interessa diretamente ao mercado brasileiro de apostas: até que ponto programas de fidelidade e vantagens para grandes apostadores podem incentivar comportamentos de risco? Embora a discussão ocorra nos Estados Unidos, as práticas de VIP programs são comuns em cassinos e casas de apostas que operam no Brasil, e a falta de transparência sobre como esses programas funcionam é um problema global.
O que aconteceu
Em agosto de 2026, Tonko, juntamente com o senador Richard Blumenthal (D-CT) e a deputada Valerie Foushee (D-NC), enviou uma carta à FanDuel com oito perguntas sobre seu programa VIP e práticas de jogo responsável. A iniciativa foi motivada pela divulgação de um vídeo de 2024 no qual Bryce Harper, estrela da MLB, aparecia em conteúdo voltado a um apostador VIP que enfrentava problemas com o jogo.
Cory Fox, vice-presidente sênior de políticas públicas e sustentabilidade da FanDuel, respondeu à carta alguns dias depois. A resposta, porém, não agradou ao deputado. Segundo Tonko, a empresa deixou de responder a cinco das oito perguntas formuladas.
Perguntas sem resposta
Entre as questões ignoradas pela FanDuel, estão:
- Quantos clientes VIP tentaram reduzir suas apostas ou fechar suas contas, mas receberam ofertas de vantagens ou promoções exclusivas, e quantos continuaram apostando após essas ofertas.
- Com que frequência gerentes de VIP enviam vídeos com atletas ou celebridades para clientes, com o objetivo de mantê-los apostando na plataforma.
- Se a FanDuel direciona promoções VIP a clientes que estão em sequência de derrotas ou que parecem estar reduzindo sua atividade de apostas.
- Se a empresa possui critérios específicos para identificar comportamentos potencialmente problemáticos entre jogadores VIP.
- Que salvaguardas adicionais a empresa planeja implementar para proteger clientes, considerando os riscos associados ao programa.
Tonko argumentou que a FanDuel se apoia em um modelo de “jogo responsável” falho, que transfere a responsabilidade para o consumidor e evita que a operadora assuma seu papel na prevenção de danos.
Por que isso importa para o Brasil
Programas VIP são oferecidos por diversas casas de apostas e cassinos online que miram o público brasileiro. Clientes de alto valor podem receber gerentes dedicados, suporte personalizado, convites para eventos esportivos e promoções exclusivas. O problema, como aponta o caso da FanDuel, é que esses benefícios podem ser usados para manter apostadores engajados mesmo quando apresentam sinais de ludopatia.
No Brasil, a regulamentação das apostas de quota fixa, sob responsabilidade da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, ainda não estabelece regras específicas sobre programas de fidelidade ou VIP. A lista oficial de operadores autorizados, publicada pelo governo, exige que as empresas ofereçam ferramentas de jogo responsável, como limites de depósito e autoexclusão, mas não há transparência sobre como os programas VIP interagem com esses mecanismos.
| Pontos principais | Detalhes |
|---|---|
| Contexto | Deputado Tonko critica resposta da FanDuel sobre programa VIP após escândalo com Bryce Harper |
| Perguntas ignoradas | 5 de 8 questões do Congresso ficaram sem resposta |
| Risco para jogadores | Programas VIP podem incentivar apostas mesmo em casos de comportamento problemático |
| Relevância para o Brasil | Práticas similares existem em operadores que atuam no país, sem regulação específica |
O que diz o SAFE Bet Act
Tonko renovou seus pedidos para a aprovação do SAFE Bet Act, projeto que propõe novas regras para operadores de apostas esportivas online nos EUA. A lei prevê, entre outros pontos, a proibição de bônus e promoções que incentivem apostas excessivas e a obrigatoriedade de ferramentas de jogo responsável mais rigorosas.
Embora o projeto seja norte-americano, ele serve como referência para debates regulatórios em outros países, incluindo o Brasil. A discussão sobre os limites dos programas de fidelidade e a proteção de jogadores vulneráveis é um tema que tende a ganhar espaço à medida que o mercado brasileiro se consolida.
O que o jogador brasileiro deve observar
Para quem aposta em cassinos ou sites de apostas no Brasil, o caso da FanDuel serve como alerta. Programas VIP podem parecer vantajosos, mas é importante verificar se o operador oferece ferramentas reais de jogo responsável, como limites de depósito, pausas e autoexclusão, e se essas ferramentas são respeitadas mesmo para clientes de alto valor.
Antes de aceitar qualquer benefício VIP, o recomendado é ler os termos do programa e verificar se o operador possui políticas claras de prevenção ao jogo problemático. No Brasil, a Autoexclusão Brasil, recurso oficial do governo, é uma ferramenta que permite ao jogador se afastar de todas as casas de apostas autorizadas.
Fonte: GamblingNews – https://www.gamblingnews.com/news/us-rep-paul-tonko-slams-fanduels-response-to-questions-about-its-vip-program/
