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Caesars divulga último trimestre como empresa pública com aquisição da Fertitta pendente; receita supera consenso, mas EBITDA ajustado fica abaixo do esperado
Caesars Entertainment reporta receita de US$ 2,99 bilhões no segundo trimestre de 2026, acima do consenso, mas EBITDA ajustado cai 3,7% ante um ano antes, reforçando os desafios do setor de cassinos nos EUA. Com a compra pela Fertitta Entertainment pendente, a empresa dispensou teleconferência com analistas.

O segundo trimestre de 2026 foi o último que a Caesars Entertainment (CZR) divulgará como empresa de capital aberto. Com a aquisição pela Fertitta Entertainment, do bilionário Tilman Fertitta, avaliada em US$ 17,6 bilhões, a companhia dispensou a tradicional teleconferência com analistas e publicou apenas um comunicado ao mercado no final da tarde de 28 de julho. A ausência de explicações da diretoria tornou-se o fato mais comentado entre investidores e analistas.
A receita consolidada ficou em US$ 2,99 bilhões, alta de 3,0% ante os US$ 2,90 bilhões do segundo trimestre de 2025, superando marginalmente o consenso de Wall Street, que girava entre US$ 2,96 bilhões e US$ 2,97 bilhões. No acumulado do primeiro semestre, a receita atingiu US$ 5,86 bilhões, alta de 2,8%.
O prejuízo líquido GAAP foi de US$ 62 milhões, uma melhora de 24,4% em relação aos US$ 82 milhões negativos de um ano antes. O prejuízo por ação ficou em US$ 0,30, contra US$ 0,39 no mesmo período de 2025. No semestre, o prejuízo totalizou US$ 160 milhões, ante US$ 197 milhões.
O ponto fraco foi o EBITDA ajustado consolidado: US$ 920 milhões, queda de 3,7% em relação aos US$ 955 milhões do segundo trimestre de 2025, e aproximadamente 4% abaixo dos cerca de US$ 963 milhões projetados pelo mercado.
| Indicador | Q2 2026 | Q2 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita consolidada | US$ 2,99 bilhões | US$ 2,90 bilhões | +3,0% |
| Prejuízo líquido GAAP | US$ 62 milhões | US$ 82 milhões | -24,4% |
| EBITDA ajustado | US$ 920 milhões | US$ 955 milhões | -3,7% |
| Dívida líquida | US$ 10,84 bilhões | n/d | n/d |
Las Vegas enfraquece, operações regionais sustentam o trimestre
A receita de Las Vegas caiu 3,5%, para US$ 1,01 bilhão, e o EBITDA ajustado do segmento despencou 12,6%, para US$ 410 milhões. O lucro líquido do segmento recuou 26,4%, para US$ 156 milhões. A ocupação hoteleira caiu 130 pontos-base, para 95,5%, e a queda no volume de visitantes na cidade pressionou tanto a diária média dos quartos quanto os gastos não relacionados a jogos.
A holding das mesas de jogo ficou em 16,6%, o menor nível desde o quarto trimestre de 2022. A empresa atribuiu parte dessa queda à “sorte” desfavorável, mas os indicadores operacionais também mostraram fraqueza: o volume de apostas em mesas caiu 5%.
O segmento regional, que reúne cassinos fora de Las Vegas, foi o destaque positivo. A receita subiu 9,4%, para US$ 1,57 bilhão, e o EBITDA ajustado avançou 11,2%, para US$ 488 milhões. O lucro líquido do segmento passou de um prejuízo de US$ 11 milhões para um lucro de US$ 23 milhões.
É importante notar que parte desse crescimento não é orgânico. A Caesars fechou a aquisição do Caesars Windsor em 3 de março de 2026 e passou a consolidar a operação no segmento regional. Sem esse efeito, a comparação com o ano anterior não é exata.
Digital decepciona e meta de EBITDA anual fica distante
A Caesars Digital registrou receita de US$ 351 milhões, alta de 2,3%, mas o EBITDA ajustado caiu 15%, para US$ 68 milhões. As apostas esportivas online tiveram queda de 3% na receita, apesar do aumento de 3% no volume de apostas, devido a uma redução de 50 pontos-base na holding. O iGaming, por outro lado, cresceu 11%, para US$ 188 milhões.
A empresa atribuiu a compressão das margens ao aumento dos gastos com aquisição de clientes e marketing. O presidente-executivo Tom Reeg estabeleceu uma meta de US$ 500 milhões de EBITDA digital anual para 2026. No primeiro semestre, o segmento gerou apenas US$ 137 milhões. Mesmo considerando a sazonalidade favorável do segundo semestre, com a temporada de futebol americano, a meta parece fora de alcance neste ano. Sem a teleconferência, ninguém pôde questionar a diretoria sobre o assunto.
A aquisição pela Fertitta e os próximos passos
A Caesars concordou em 28 de maio de 2026 em ser adquirida pela Fertitta Entertainment por US$ 31,00 por ação em dinheiro, o que equivale a aproximadamente US$ 5,7 bilhões de participação acionária mais cerca de US$ 11,9 bilhões de dívida assumida. O prêmio foi de 49% sobre o preço das ações antes do anúncio.
O período de 45 dias para busca de propostas concorrentes expirou em 11 de julho sem nenhuma oferta rival. Uma abordagem relatada de US$ 33 por ação ligada a Carl Icahn nunca se materializou como oferta formal. O processo de aprovação regulatória avançou: a Nevada Gaming Control Board já aprovou por unanimidade a transação, e a audiência final na Nevada Gaming Commission está agendada para 21 de agosto.
Para o leitor brasileiro que acompanha o mercado global de cassinos, a situação da Caesars ilustra como mesmo grandes operadores enfrentam pressões de alavancagem financeira e concorrência digital. O desfecho da aquisição pela Fertitta, previsto para o segundo semestre de 2026, pode sinalizar uma nova onda de consolidação no setor, com impacto potencial sobre fornecedores, plataformas de jogos e até mesmo sobre a forma como operadores internacionais avaliam o mercado brasileiro em regulamentação.
Fonte: Gambling Insider – https://www.gamblinginsider.com/news/179085/caesars-files-last-public-quarter-fertitta-acquisition-pending-regional-strength-hides-las-vegas-slide
