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Brasil: Crescimento do Mercado Cripto Atraiu Redes Criminosas Globais, Desafiando Nova Regulamentação
O rápido crescimento do mercado de criptomoedas no Brasil atraiu redes criminosas globais, revelando desafios para a nova estrutura regulatória do Banco Central do Brasil.

O Brasil, reconhecido como o maior mercado de criptomoedas da América Latina, movimentou cerca de US$ 318 bilhões em valor on-chain entre julho de 2024 e junho de 2025. Este crescimento exponencial, impulsionado por uma população jovem, um setor fintech vibrante e a demanda por stablecoins atreladas ao dólar, também atraiu a atenção de criminosos. Dados recentes indicam que redes criminosas globais, incluindo redes de lavagem de dinheiro de língua chinesa (CMLNs), evaders de sanções russos e traficantes de drogas, estabeleceram uma presença significativa nas exchanges brasileiras.
A convergência dessas ameaças globais ocorre em um momento crucial, com o novo regime de autorização para empresas de criptoativos do Banco Central do Brasil (BCB) em pleno vigor desde 2 de fevereiro de 2026. As obrigações de reporte estão ativas desde 4 de maio, e o prazo final para licenciamento é 29 de outubro. Este cenário representa o primeiro grande teste para a capacidade do BCB e das exchanges em detectar e combater atividades ilícitas.
Pontos principais:
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Crescimento do Mercado | US$ 318 bilhões em valor on-chain no Brasil (jul/24 – jun/25), um terço do total da América Latina. |
| Ameaças Globais | Redes de lavagem de dinheiro chinesas, evaders de sanções russos e traficantes de drogas atuam no Brasil. |
| Novo Regime Regulatório | Autorização para empresas de criptoativos em vigor desde fev/26, com licenciamento até out/26. |
| Fluxos Ilícitos | Mais de 50% dos fluxos ilícitos identificados em exchanges brasileiras em 2025 vêm dessas três categorias. |
Aumento da Sofisticação Criminosa
O volume total recebido por endereços de criptomoedas ilícitas atingiu US$ 154 bilhões em 2025, um aumento significativo em relação aos US$ 59 bilhões em 2024 e US$ 11 bilhões em 2020. Este crescimento não reflete apenas a maior adoção de criptoativos, mas também uma mudança fundamental na composição do volume ilícito e na sofisticação dos atores. A atividade criminosa on-chain profissionalizou-se desde 2020, com organizações ilícitas construindo infraestruturas dedicadas e estados-nação entrando em cena em uma escala sem precedentes.
Estabilidade e Utilidade das Stablecoins
A composição dos ativos nesses fluxos também mudou drasticamente. As stablecoins, antes marginais na atividade ilícita, agora representam a esmagadora maioria do valor ilícito em criptoativos. Elas são preferidas por criminosos devido à sua estabilidade de preço e utilidade para liquidação, refletindo sua dominância no ecossistema cripto em geral.
As Três Maiores Ameaças Globais no Brasil
Quando se analisa a lavagem de dinheiro especificamente, três categorias dominam o cenário global e todas elas se manifestam no Brasil. Redes CMLNs respondem por 20% dos fundos ilícitos conhecidos. A análise dos fluxos ilícitos para exchanges brasileiras entre 2023 e 2025 mostra uma evolução: se em 2023 os fluxos eram dominados por uma ampla gama de atividades ilícitas, em 2024 e 2025 o cenário mudou materialmente.
Exposição a Serviços de Risco
Muitas das principais tendências globais estão se manifestando localmente no Brasil, com destaque para a crescente exposição a serviços relacionados à Rússia, como o A7A5 swap, e outros serviços sancionados. Além disso, há uma presença de CMLNs do Sudeste Asiático e serviços de garantia, que juntos formam a nova espinha dorsal da infraestrutura cibernética ilícita. Também há exposição à lavagem de dinheiro de cartéis, consistente com a intensidade desse problema no Hemisfério Ocidental. É importante notar que esses dados refletem a natureza global do crime cripto, e não um veredito sobre a postura de conformidade de qualquer exchange individual.
Oportunidades de Intervenção
O número de endereços de depósito distintos expostos a fluxos ilícitos em exchanges brasileiras variou de 550 a 950 por trimestre entre 2023 e o início de 2026. Isso sugere que os criminosos estão distribuindo os fluxos por diversos pontos de entrada para evitar a detecção. No entanto, os cinco endereços de depósito mais expostos por trimestre consistentemente representaram entre 75% e 90% do volume ilícito total recebido. Essa alta concentração é operacionalmente significativa, indicando que, embora o problema seja amplo, uma parte considerável do volume ilícito pode ser rastreada a um pequeno número de endereços de alto risco, oferecendo oportunidades claras para intervenção e foco nos maiores atores criminosos.
Regulamentação em Teste
Essas tendências ilícitas se desenrolam em um mercado brasileiro de criptoativos que experimentou crescimento substancial e está navegando em um ambiente regulatório em rápida evolução. Em novembro de 2025, o Banco Central do Brasil publicou as Resoluções 519, 520 e 521, operacionalizando a Lei de Ativos Virtuais de 2022. O regime introduz um caminho de licenciamento para provedores de serviços de criptoativos (SPSAVs), abrangendo corretoras, custodiantes e intermediários domésticos, bem como empresas estrangeiras que atendem clientes brasileiros. Também inclui obrigações de AML/CFT (Anti-Lavagem de Dinheiro/Combate ao Financiamento do Terrorismo), incluindo a Regra de Viagem da FATF, e o tratamento de transferências de stablecoin transfronteiriças como atividade de câmbio sob a Resolução 521. As obrigações de reporte entraram em vigor em 4 de maio de 2026.
Fonte: Chainalysis Blog (Brazil’s Maturing Market Meets Maturing Threats: How Global Crypto Crime Trends Are Landing in Latin America’s Largest Market – https://www.chainalysis.com/blog/brazil-crypto-crime-money-laundering-regulation/)
