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Bancos intensificam gestão de riscos de criptoativos sob nova expectativa regulatória global
Instituições financeiras em todo o mundo estão sob pressão crescente para gerenciar riscos associados a criptoativos, conforme novas diretrizes regulatórias.

A gestão de riscos relacionados a criptoativos tornou-se uma expectativa regulatória explícita para instituições financeiras em todo o mundo. Supervisores bancários esperam que bancos e outras entidades financeiras identifiquem e gerenciem proativamente os riscos associados a atividades, produtos ou contrapartes de criptoativos. Esta exigência abrange áreas cruciais como a prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo (AML/CFT), conformidade com sanções e governança corporativa.
Historicamente, a primeira reação de muitas instituições financeiras tem sido desenvolver um programa de conformidade paralelo e separado para criptoativos. No entanto, essa abordagem pode levar a falhas, seja por excesso de engenharia ou por desengajamento. A realidade é que a maioria dos riscos de criptoativos se alinha diretamente com as categorias que as estruturas de risco existentes de uma instituição financeira já cobrem. A adaptação necessária é, na verdade, mais focada do que muitas equipes inicialmente assumem.
Adaptação focada em dados e blockchain
A chave para uma gestão eficaz reside em dois pilares principais: compreender como as finanças ilícitas operam na blockchain e utilizar os dados que a própria blockchain torna visíveis. Em vez de criar um sistema totalmente novo, as instituições devem adaptar seus frameworks existentes para incorporar essas novas dimensões. Isso significa integrar a análise de blockchain nas ferramentas e processos de conformidade já estabelecidos, como triagem de carteiras, monitoramento de transações e due diligence de entidades.
Um relatório detalhado da Elliptic, empresa especializada em análise de blockchain, aponta que o risco de criptoativos pode ser mapeado para as categorias de avaliação de risco que as instituições financeiras já utilizam. Essas categorias estão alinhadas com padrões globais como o FFIEC BSA/AML Manual, as diretrizes do Wolfsberg Group, os padrões do Financial Action Task Force (FATF) e o UK Joint Money Laundering Steering Group (JMLSG).
Dimensões de risco e como abordá-las
O relatório da Elliptic destaca três dimensões familiares de risco e adiciona uma específica para criptoativos. A primeira é o risco de indivíduos e entidades. Clientes individuais podem parecer de baixo risco pelas medidas tradicionais, mas ter exposição a mercados da dark web, redes de fraude ou partes sancionadas através de atividades on-chain. Contrapartes de entidades, como exchanges centralizadas, trocas de moedas e emissores de stablecoins, apresentam riscos distintos baseados em seus modelos operacionais, exigindo uma segmentação cuidadosa.
A segunda dimensão é o risco geográfico. Embora os criptoativos não alterem os fatores de risco geográficos estabelecidos, eles adicionam considerações sobre o status regulatório específico de uma jurisdição para criptoativos e a concentração de tipologias criminosas (por exemplo, fraude de romance no Sudeste Asiático, lavagem de narcóticos ligada ao México e Colômbia, cibercrime na Rússia). Além disso, a identificação da localização do detentor de um endereço de carteira é um desafio, já que o país de registro de um serviço raramente reflete onde ele realmente opera.
A terceira dimensão é o risco do produto. O design do produto molda o risco inerente, com Custódia, transparência das contrapartes e facilidade de movimentação de valor entre fiat e criptoativos sendo fatores cruciais. Produtos de pagamento de varejo construídos em carteiras não-custodiais, por exemplo, carregam uma exposição materialmente maior do que produtos de custódia institucional para os mesmos ativos.
Visibilidade da blockchain: uma nova dimensão
A quarta e mais inovadora dimensão é a visibilidade da blockchain. Esta é uma dimensão sem equivalente nas finanças tradicionais. Como as transações de blockchain são publicamente observáveis, as equipes de conformidade podem avaliar a exposição direta e indireta a entidades ilícitas, percentagens de exposição, técnicas de anonimato (mixers, moedas de privacidade) e atividade entre cadeias. Essa visibilidade é poderosa, mas exige que o rastreamento siga os fundos em cada salto, sem interrupções, para garantir a conformidade total com obrigações como as do Office of Foreign Assets Control (OFAC).
A avaliação de risco de criptoativos sem análise de blockchain é comparável à avaliação de risco fiat sem monitoramento de transações. As instituições financeiras precisam implementar ferramentas e processos como triagem de carteiras, monitoramento de transações, due diligence de entidades e due diligence de emissores, que são os equivalentes on-chain dos controles bancários já existentes. Os supervisores estão cada vez mais esperando ver a implementação desses controles.
| Ponto Chave | Detalhe |
|---|---|
| Expectativa Regulatória | Supervisores bancários exigem gestão de riscos de criptoativos em AML/CFT, sanções e governança. |
| Abordagem Correta | Adaptar frameworks existentes, focando em como as finanças ilícitas operam na blockchain e usando dados on-chain. |
| Dimensões de Risco | Indivíduos/Entidades, Geográfico, Produto e Visibilidade da Blockchain. |
| Importância da Blockchain | Transações públicas permitem avaliar exposição a entidades ilícitas e técnicas de anonimato. |
| Controles Essenciais | Triagem de carteiras, monitoramento de transações, due diligence de entidades/emissores. |
Este cenário exige que as instituições financeiras revisitem e aprimorem suas estratégias de conformidade com criptoativos, garantindo que estejam preparadas para as expectativas regulatórias em evolução.
Fonte: Elliptic Blog
