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Candidato à Presidência acena a clubes, mas não garante reabertura do mercado de apostas
Em telefonema ao presidente do Flamengo, Flávio Bolsonaro (PL) prometeu buscar uma "solução" para clubes e casas de apostas, mas não se comprometeu a restabelecer a autorização das empresas. Entenda o que está em jogo para o apostador brasileiro.
O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, ligou para o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista (Bap), e afirmou que, se eleito, encontrará uma “solução” para os clubes de futebol e para as casas de apostas. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo e confirmada por três fontes ligadas ao futebol e à campanha.
O aceno, no entanto, tem limites claros. Flávio não se comprometeu a restabelecer a autorização para que as empresas voltem a operar. A diferença entre “encontrar uma solução” e “devolver a legalidade” é o ponto central da análise, segundo o site BNLData, especializado na cobertura do setor.
O telefonema ocorreu um dia após a publicação da Medida Provisória (MP) 1.394/2026, que suspendeu a autorização de todas as casas de apostas e cassinos online no Brasil. A medida, em vigor desde 25 de setembro, foi usada pelo governo como principal bandeira eleitoral, mas os resultados nas urnas não corresponderam às expectativas.
O que a pesquisa mostrou sobre o impacto da proibição
Dados do Datafolha de 1º de outubro indicavam que 78% dos brasileiros eram favoráveis ao fim das bets. No entanto, no primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou à frente do presidente Lula, com 47,03% dos votos contra 45,16%. A pesquisa Quaest de 21 de outubro reforçou o diagnóstico: a proibição das bets aparece empatada com o pacote para microempreendedores individuais (MEIs), ambos com apenas 11% de recall entre os eleitores.
A medida que o governo tratou como o “plebiscito” da eleição tem o mesmo nível de lembrança de um pacote anunciado 12 dias antes do segundo turno. Assessores de Lula avaliam que o efeito positivo da proibição foi menor que o esperado, e o próprio presidente passou a evitar o tema.
O que Flávio disse e o que não disse
Segundo a reportagem, Flávio afirmou que a proibição feita “com uma canetada” agrediu a segurança jurídica, os clubes e as empresas do setor. É o mesmo diagnóstico que operadores e entidades do setor fazem desde a edição da MP.
No entanto, o histórico do candidato pede prudência. Flávio votou contra a regulamentação do setor aprovada em 2023. Durante a campanha, associou Lula ao “jogo do tigrinho”. E, até a publicação da reportagem, sua campanha não respondeu às perguntas da Folha, enviadas desde 8 de outubro.
O termo “solução” pode significar desde a volta integral do marco legal até um socorro exclusivo aos clubes, sem as empresas. Enquanto o candidato não disser qual caminho pretende seguir, o setor continua sem garantias.
| Pontos principais | Detalhes |
|---|---|
| O que foi dito | Flávio prometeu “solução” para clubes e casas de apostas |
| O que não foi dito | Não há compromisso de restabelecer a autorização das empresas |
| Contexto político | Proibição perdeu força eleitoral; governo recuou do discurso |
| Risco para o apostador | Possibilidade de reabertura apenas das apostas esportivas, sem cassinos online |
O risco de uma reabertura pela metade
O sinal mais preocupante para o setor está numa frase quase lateral da reportagem: Flávio defende diferenciar cassinos virtuais de apostas esportivas. Não é uma ideia isolada. Segundo o Estadão, o próprio Lula foi aconselhado, antes da MP, a proibir apenas os cassinos online.
Esse recorte seria um erro, segundo analistas. A Lei 14.790/2023 tratou apostas esportivas e jogos online como partes do mesmo mercado regulado, sob as mesmas outorgas e regras de proteção ao apostador. Com o mercado regulado funcionando, o ilegal ainda respondia por mais de 40% da atividade.
Reabrir só as apostas esportivas manteria toda a demanda por jogos online fora do alcance do Estado, nas mãos de quem não paga imposto, não verifica idade e não protege ninguém. O “tigrinho” não desaparece por decreto — ele apenas muda de endereço.
O futebol como força política e a sombra da PF
O futebol se tornou a principal força política contra a proibição. O Flamengo entrou como parte na ação que questiona a MP no STF, relatada pelo ministro Luiz Fux. Os clubes boicotaram a reunião com o governo e o Fla-Flu de 11 de outubro virou protesto nacional em rede aberta.
Há, porém, uma sombra sobre o aceno de Flávio. A Polícia Federal investiga se ele é sócio indireto do advogado Willer Tomaz, considerado o maior apostador do mercado regulado em 2025. Qualquer reabertura conduzida por um eventual governo Flávio será lida sob essa suspeita.
O que o setor precisa cobrar
O cenário atual é melhor que o de setembro. A proibição perdeu força eleitoral, o governo recuou do discurso, o centrão se movimenta e o principal adversário de Lula critica a medida em público. No entanto, ânimo não é estratégia.
Seja quem for o presidente a partir de 1º de janeiro, o setor deve cobrar três pontos: a volta do marco legal de 2023 por inteiro, com apostas esportivas e jogos online; o respeito às outorgas já pagas e à segurança jurídica; e uma solução pelo Congresso e pelo STF, que não dependa da boa vontade de um governante.
Para o apostador brasileiro, a incerteza continua. Quem busca um ambiente seguro e regulado para apostar precisa acompanhar de perto os próximos passos no Congresso e no STF, que devem definir o futuro do mercado.
